domingo, 18 de maio de 2014

O ESPANTO DO SILÊNCIO

O espanto do meu silêncio fica boquiaberto ante os pensamentos que aos borbotões, caem da minha cabeça pelo chão que piso.
Também espalham-se eles pelas lindas cidades da Itália onde nunca fui
Pelas faces das crianças em preto e branco, já mortas, que alguém eternizou em velhas fotografias.

Entremeando fios meus pensamentos vão longe, chegando à beira da sanidade e da lógica
Ante o barulho dos canhões, as cólicas da fome, o tiro que quebra o osso da perna e impede a fuga
 A sedução do poder que revela o algoz ao atar o nó da forca e da miséria.

Arrastam-me assim tais ideias para um patíbulo de ódio onde minha mão treme e se compraz de vingança na alavanca.
Porém, a ternura quase palpável de um beijo, olhar de mãe, afago de cão
A paradoxal beleza de um inseto monstruoso, a violência de um mar de naufrágios
Serenam minha cabeça que nesse turbilhão se perderia não fosse a vontade de compreender cada coisa.

Sentada no canto da vida sem olhar para nada além do espaço vazio, tais emoções solidificam-se e quase posso tocá-las com a ponta do dedo
Enquanto desfilam nessa interminável procissão de santos e demônios que me acariciam com suas perspectivas.
Deveria estar imune a tal e tanto entre os livros, que desde menina contam-me em milhares e milhares de páginas 
Suas histórias, verdadeiras ou não.

"Femme Fatale" 
Andor Novak - 1897- ? - Pintor Simbolista Húngaro.
Terê Oliva
http://tereoliva.blogspot.com.br

Um comentário:

Malu Silva disse...

Tere, estou de casa nova. Meu antigo blog, depois de quase 6 anos online teve que se desfazer por motivos que nem vale a pena falar.
Mas enfim, se desejar me visitar estou aqui

www.euflordealfazema.com

Um enorme abraço