Você, Dona Ana, sempre me surpreende. Lê muito, inteligente um pouquinho mais se torna a cada dia e capítulo, cita autores de quem jamais ouvi falar, desconhece os meus, não gosta dos meus filmes, me enlouquece com palavras moderninhas que nem ao dicionário chegaram ainda, e que tento guardar na memória para que, quando repeti-las eu saber do que está falando, joga meu Deus para escanteio e no fim de tudo ainda se apaixona por Lacan.
Já engoli o Schopenhaer e seu mau humor nas minhas aulas de filosofia, não só ele, outros muitos também. Reli Álvaro de Campos, seu Fernando preferido, para entender o porquê, sem descobrir. Discuti com quem também conferia genialidade ao Nelson Rodrigues e seus amores sem cabresto e até, assisti ao Tropa de Elite. Não gostei, mas fui conferir.
Então só me resta lhe convidar para um almoço. Quem sabe entre a entrada e a sobremesa você me leve a entender que raio de felicidade é essa?
Ou ser feliz é não desejar sê-lo?
Tela de Oxana Yambykh - Pintora Russa.
Terê Oliva
