sábado, 18 de outubro de 2014

O ESCRIBA



Tornar palavra tudo aquilo que o cerca e o emociona
 Ou o mais que finge sentir tal capenga poeta
Não vai além de um talento minúsculo de colecionador de sentimentos indiferentes
Ante o que a vida não deu estofo de verdade, ou antes ainda, o que para si não existiu.

Quisera seguir à frente das próprias mãos e do coração minguado
Que nunca se inchou de amor verdadeiro.
Viver assim talvez seja a sina dos escribas de letra bonita e boa gramática.
Fazer o gesto fora do papel sempre exigiu uma força superior de seus músculos 
Que amoleceram diante do mundo palpável.

A si mesmo convence, dentro da sua clausura de impossibilidades
Que talvez sua intuição o tenha salvado de vulgares desejos
Onde não há razão para tê-los.

Tela de Flora Zeledón - Costa Rica - Arte Contemporânea.
Terê Oliva
http://tereoliva.blogspot.com.br



Nenhum comentário: