segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O TORPOR DE MORFEU.

Tela de Alfred Émile Stevens - (1823/1906)
Pintor Belga.


Um despertar indeciso no céu gris
Traz o torpor onde os pensamentos perambulam.
 Como pombos de asas quebradas 
  Voam ilógicos nos ventos da rosa sem norte.

Sem o filtro da razão para as coar
As loucuras de Morfeu, só aqui sob os lençóis admitidas
Entre os grãos de areia da ampulheta se chocam
No dia novo que ainda não se decidiu viver.

Nublada mente, atordoada memória
Se encostam no sonho que se deseja lembrar
E que escapou entre as filigranas do sol de domingo
Nessas horas rasas que deveriam ainda ser fundas.
A dádiva do esquecimento não mais se desfruta
Porque a carne saciada expulsa o cérebro dos porões escuros.
O espírito, sem domínio, vagueia no interlúdio dos sonos
Enquanto os galos não cantam.
Tela de Frederick Leighton - (1830/1896)
Pintor Inglês.


Terê Oliva.


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