sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

MITOLOGIA DOS HOMENS ERRANTES.

"Love" - Tela de Anthony Frederick Sandys (1829/1904)
Pintor Inglês.

O amor parece magia que transborda de um pote de mel. Deixa todo mundo macio e bobo, tal qual doce de fruta em calda, que o açúcar para muito conserva no tempo.
Tal qual a fruta, amor também azeda e acaba, quando não se ferve e não se repõe os pedaços comidos do todo no pote.
Aí fica o sujeito desamado, desquerido, numa tristeza funda, com cara de coitado que a gente já conhece, por ter visto no espelho e nos outros com quem se convive ao largo e ao estreito.
Pior do que bicho, que quando apanha aprende, segue o ser de coração partido, desenrolando seu carretel de mágoas para quem quer ouvir ou não.
Mulher então pior fica. Se desespera na solidão de andar sem braço dado, cama vazia.
Quando se apaixona é um Deus nos acuda. Nada mais há de serventia nessa vida colorida por esse amor que pensa eterno. Ninguém lhe contou que eterno nem o viver é.
A vida acaba sem aviso, na veia que arrebenta, no caminhão sem freio, no mar sem pé. Ninguém consegue nem mais um reles minuto para a palavra final.
Tanto amor sem senso enjoa a quem por perto circula e testemunha.
É amor desmedido que por outra seta poderia ser lançado. 
Nem só Cupido é deus na mitologia dos homens errantes.

"Mulher Sentada" 
Tela de Hermenegildo Anglada Camarasa - (1871/1959)
Pintor Espanhol.

Teresinha Oliveira.

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