quinta-feira, 13 de junho de 2013

O VENDEDOR

Uma beleza de estampilha antiga amolda o rosto do jovem que dobra as camisas
Na loja decadente da rua de baixo.
Não combina ele com as velhas prateleiras abarrotadas de roupas masculinas de mau gosto.
Sua face de esculturais traços é desumana.
O humano é imperfeito, não comporta o êxtase que esse olhar azul instiga
Nem os pelos da sombra de barba que definem o maxilar quadrado.
Pobre moço pobre que incrusta sua masculinidade entre as paredes mortas que o cercam e dizimam.

Viro-me e saio da loja como quem abandona um amigo à própria sorte.
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Tela de Pablo Picasso - 1881/1973 - Pintor Espanhol.
Terê Oliva.