domingo, 20 de julho de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
REFÚGIO AZUL
O cobertor ganha tons proféticos na noite fria de outono enquanto a pele racha
Suas farpas aquecem a largueza do leito com matizes de azul profundo
Onde orações inconclusas se perdem.
Imagens se deleitam na forma límpida em que surgem sem pé nem cabeça
Onde orações inconclusas se perdem.
Imagens se deleitam na forma límpida em que surgem sem pé nem cabeça
Com requinte de assassinos e suas armas de luxo
Para assustar a quem de um lado para o outro rola.
O apetite é vão, é lembrança, é medo das sombras
Para assustar a quem de um lado para o outro rola.
O apetite é vão, é lembrança, é medo das sombras
Não despreza o frio essa mulher, nem o conforto, nem os temores noturnos que diante do sono esvaecem.
Tudo é vida, tudo é percurso.
Tudo é vida, tudo é percurso.
Sai do azul e do teto olha para aquela que ali se refugia
Rendendo graças pelo esquecimento que não vem das cinzas da noite
Rendendo graças pelo esquecimento que não vem das cinzas da noite
Mas de um cobertor azul.
Tela de George Lawrence Bulleid - 1858/1933 - Pintor Inglês.
Terê Oliva
http://tereoliva.blogspot.com.br
domingo, 18 de maio de 2014
O ESPANTO DO SILÊNCIO
Terê Oliva
http://tereoliva.blogspot.com
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
FANTASMAS ANDARILHOS
A noite corria alta e silenciosa no grande sobrado.
Sabia-se ser muito tarde quando tudo aconteceu porque a família não tinha prazeres em camas e sonos. Os filmes, livros e conversas, esticavam-se até as ordens frenéticas da mãe que lembrava aos quatro irmãos a escola no dia seguinte, ficando ela mesma e o pai mais um tanto.
O frio imobilizava a todos e induzia ao sono sob forma de cobertor, meias de lã, pijamas de flanela e leite quente com mel antes de subir aos quartos, mesmo que sem vontade.
Nesse silêncio de escuridão a filha foi acordada por passos no corredor que interligava os três quartos. Quase sem se mover, e munindo-se de coragem, baixinho chamou a irmã, que para sua surpresa já havia também acordado e exibia os olhos arregalados em sua direção.
_ Tem gente aí, disse num sussurro. Algum ladrão entrou na casa.
_ Pode ser fantasma, sugeriu a caçula, desde sempre apaixonada por histórias de terror.
_ Que fantasma que nada. Mas no fundo, sua cabeça girou como um dínamo e lembrou-se das mortes recentes ocorridas na família. Um primo jovem tão querido, quase namorado com quem brincara de médico e uma tia velha. Seria mensagem do além? Bobagem!
Pé ante pé levantou-se e foi conferir. Quando olhou o comprido corredor, viu seus dois irmãos também à porta do quarto da frente, e os pais no quarto dos fundos. Todos observando o estranho ser, vestido de branco, que caminhava com ruídos de outro mundo.
Por um minuto ninguém sabia o que fazer, olhando uns para os outros, cada qual dando asas à imaginação sem nada concluir de racional.
O grande mistério se revelou quando o pai, com um simples toque acendeu a luz e a boneca Andinha, vestida de noiva, deu mais um passo.
Artista plástico (Esculturas e Bonecos) - Dustin Poche.
Terê Oliva.
http://tereoliva.blogspot.com.br
Nesse silêncio de escuridão a filha foi acordada por passos no corredor que interligava os três quartos. Quase sem se mover, e munindo-se de coragem, baixinho chamou a irmã, que para sua surpresa já havia também acordado e exibia os olhos arregalados em sua direção.
_ Tem gente aí, disse num sussurro. Algum ladrão entrou na casa.
_ Pode ser fantasma, sugeriu a caçula, desde sempre apaixonada por histórias de terror.
_ Que fantasma que nada. Mas no fundo, sua cabeça girou como um dínamo e lembrou-se das mortes recentes ocorridas na família. Um primo jovem tão querido, quase namorado com quem brincara de médico e uma tia velha. Seria mensagem do além? Bobagem!
Pé ante pé levantou-se e foi conferir. Quando olhou o comprido corredor, viu seus dois irmãos também à porta do quarto da frente, e os pais no quarto dos fundos. Todos observando o estranho ser, vestido de branco, que caminhava com ruídos de outro mundo.
Por um minuto ninguém sabia o que fazer, olhando uns para os outros, cada qual dando asas à imaginação sem nada concluir de racional.
O grande mistério se revelou quando o pai, com um simples toque acendeu a luz e a boneca Andinha, vestida de noiva, deu mais um passo.
Artista plástico (Esculturas e Bonecos) - Dustin Poche.
Terê Oliva.
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domingo, 2 de fevereiro de 2014
OS PEIXINHOS DA LILI
Lili, minha neta, adora 'pescar' os minúsculos peixinhos que pululam no lago do restaurante onde sempre vamos, aqui pertinho de casa. Ela os pesca com copos descartáveis, e neles mesmos os conserva com esperança de que cresçam e tornem-se dourados.
Numa dessas madrugadas calorentas, eu que pouco durmo, acordei sedenta e meio sem rumo. Ao ver o copo com água sobre a mesa da sala, não pestanejei. Glup, glup, glup...
Confesso que achei o gosto meio estranho, mas no momento não dei importância ao fato e voltei aos braços de Morfeu. Se desperdiçasse o sono, ele não mais me alcançaria.
Só quando amanheceu percebi que havia bebido os peixinhos da Lili. Furiosa, ela me deu a maior bronca e fez o inventário completo - "Vó, eu não acredito, você matou 6 peixinhos, só sobrou um... "
Fiquei mais preocupada por ter bebido a água do que por ter ingerido os peixes, proteína, se é que não houvesse algum girino nesse pacote; mas como sempre faço porque assim dá certo, deixei prá lá e esperei.
Como nada aconteceu, nenhuma alergia, nenhuma pipoca pelo corpo, nenhuma dor de cabeça ou em qualquer outro ponto, concluí que apesar da tristeza da neta-sereia, tudo não passou de uma simples confusão que rendeu uma divertida e inesquecível história de família.
Terê Oliva
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
UM ANO DE AREIA
domingo, 19 de janeiro de 2014
PEGADAS DE ESPUMA
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Sentei-me ao redor de seus pés no chão de rochas e esperei.
Meu vestido de linho bordado com flores e sementes fez-se jardim de onde minúsculas fadas escaparam, tão frágeis quanto meus nervos naquele momento único.
Ele olhou-me com o azul agudo de seus olhos e sorriu.
Nada disse porque a magia das fadas havia consumido suas palavras, e atado seus braços entre as tintas e pincéis da marina que ele pintava há horas, com as cores inexistentes de um oceano que só ele via.
Senti seu amor me dissolver em espuma e fervi com ele, mas era impossível movermos um músculo, perdidos como estávamos na proximidade um do outro.
Nessa imensidão vazia permanecemos durante o cio que nos atrelava às estrelas e às vagas noturnas, transpirando de desejo nesse perigeu de romance e sal.
Tal delírio porém, nos arrastava perigosamente pelos cabelos de nossos medos para o abismo da realidade.
Antes que nele caíssemos, arrancamos nossas roupas e corremos, deixando pegadas no destino .
"What Freedom!" (1903) - Ilya Yefimovich Repin - 1844/1930 - Pintor Russo.
Terê Oliva - http://tereoliva.blogspot.com.br
sábado, 11 de janeiro de 2014
DÚVIDAS DE QUEM RABISCA
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
NEVRALGIA
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
FANTASIA
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