sábado, 11 de maio de 2013

PAISAGENS

Tela de Viktor Vasnetsov - 1848/1926
Pintor Russo.


Só a ideia de viajar me entedia.
Nada há a ver lá fora que cá dentro já não tenha visto
Ou desejado ver.
Minha Rosa nunca se abriu e meus cardeais não ultrapassam uma folha de papel.
Tal me basta como trilho e navio, como céu de passarinho sem fôlego.
Lugares longínquos não me seduzem por serem anônimos  
Nada existe de interessante onde faltam paisagens.
As minhas são perto, cada qual a contar uma história.
 A memória nelas se deleita, num quebrar pueril de esquina
Na persistência do calcanhar que racha nas ruas já mortas
Lugares perdidos no tempo concreto, pulsantes e vívidos no abstrato.
Quando atravessa vielas de contemplação, minhas ânsias de movimento se esgotam
Levadas pelo vento que arde no silêncio da noite que cai.

Ao longe um barulho de mar, cães ladram na espuma.
Paris adquire um sabor íntimo de irrealidade.

Tela de James Sant - 1820/1916
Pintor Britânico.

Terê Oliva

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