segunda-feira, 6 de junho de 2011

VIRGEM.

Sou o que não sou
Porque quando sei o que sou
Já deixei de sê-lo. 
Sou outra.
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Transpus arcadas
Subi rampas e esbarrei em pórticos.
Já desapareci por estradas, tantas...
Deixei meu coração pelos caminhos.
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Estranho minhas próprias pegadas
Não são minhas.
Grandes assim não me sustentam
Nem essas garras todas me servem
Apesar do recente passado breve.
.
Me moldo na areia para me reconhecer
No pé pequeno sem unha sequer.
Parto no desejo novo
Deixando para trás
Pedaços que da carne arranquei.
.

Tela de Abbott Anderson Thayer
1842 / 1921 - Pintor Americano
The Virgin

Teresinha de Oliveira





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