quinta-feira, 17 de novembro de 2011

HORAS CLARAS.

Sono leve como pluma que voa
Ante a face risonha de Morfeu.
Deus muito velho que em suas barbas emaranha
As horas que deveria embalar.

Miro seus olhos mornos e dele me vingo.
Traço versos e coisa e tal
Ao encontrar folha branca no caderno
Em algum canto da casa por criança abandonado.

Escrevo por escrever, ato mecânico
De riscar grafite e tempo
Calando na mente objetivo, intenção de dizer.
Tolo prazer, como tolo é o poema madrugal.

Tantas palavras cantigas...Sabotada beleza
Que esvanecem dia a dia nas bocas sem cuidado
Com línguas à Língua arrasar
Sem respeito, menor cerimônia.

Canto para Morfeu que já boceja e me espreita
Ciranda com palavras, de mãos dadas girando:
Estrondo de trovão - Fio afiado de facão
Cheiro de chuva no chão - Estrela, espinho, esturjão.

Brincadeira divertida para quem o sono espera
Nessas horas impróprias, de silêncio obrigatório.


Tela de Richard Edward Miller - (1875/1943)
Pintor Impressionista Americano.

Teresinha Oliveira.


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