quarta-feira, 6 de março de 2013

THIAGO.

 Um menino morreu.
Morreu igual a passarinho quando cai de árvore
No susto do inesperado.
Há muito o conhecia, desde moleque
Desde antes de pintar as unhas de preto
E achar isso bonito.

Cresceram juntos os meninos do bairro
Nos campinhos de terra da pelada - 16x2 / 14x5
Nas festinhas das primeiras namoradas
Nos churrascos com carne dura e cheia de pelanca
Que somente os dentes jovens conseguiam mastigar.
Mas era o que dava para comprar
Com o cata-cata de moedas e sobras da mesada.

Um menino morreu.
Um menino com alma de artista
Que gostava de música, de grafittes, de tatuagens
De brincos, de roupas estranhas...
Careta.
 Não fumava, não bebia, não tomava drogas
Extraía sua alegria e, generoso, a espalhava por onde passasse
Da própria vida que amava.

Peço a Deus, ou ao anjo que disso cuida
Que o receba com carinho e especial atenção.
Ele, nessa dimensão que ninguém compreende
O fez por merecer.

Um menino morreu
E eu, que nunca choro
Chorei.
                                                                                                                                                                                                                                 
Tela de Kalman Aron - Nasc. 1924.
Pintor Americano.


Terê Oliva.

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