quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

FONTE DA JUVENTUDE.

O tempo não faz curvas nem cede à vontade dos mortais
Escorre, grão a grão, da imensidão das galáxias
Areia cósmica que embaça os olhos 

Trava as juntas, atrofia músculos e desejos
Corrompe o sexo e retalha a pele.

Na ressaca de juventude que às águas do mundo revolvem
Camaleões bípedes tentam escapar incólumes
À velhice que os agarra e mói.

Correm loucos a catar as partículas das estações
Que o Dono dos Calendários espalhou.


Tentam, principalmente as fêmeas da espécie
Conservar a beleza usada em ventos despregados
Que, disso apesar, novos archotes inflamam.
Abdicaram os seres da simplicidade das horas acumuladas
Sábias horas que apontam o caminho de outras fontes.

Águas que não refrescam o corpo gasto, nem cicatrizam os cortes
Da vergasta nele fundos, mas bebidas as devidas frações
Em vasos de barro, amenizam a lôbrega expectativa.
Dádiva líquida do Mestre Criador que, tão justo e bom
Doura o pêssego dos anseios findos.




Tela de Stanislav Plutenko -  (1961)
Pintor Russo Contemporâneo.


Teresinha Oliveira.



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