quinta-feira, 5 de abril de 2012

IMPOSSÍVEL PAIXÃO.

Acordei pensando no amor que se desfez antes de chegar à cama.
Lembrança forte como ressaca em mar aberto.
Nossas vagas se chocavam nas rochas e as lambiam
Sem espargir sal ou fazer menor ruído com medos
Do observador indiscreto que pudesse, num instante fortuito
Perceber nossa inevitável maré.

As memórias se refizeram, e cada detalhe de nós
Abriam cortinas há muito cerradas pelas cordas da impossibilidade
Do nosso querer proibido pelas leis dos homens e dos céus.
Velhos papiros, onde sua promessa permanecia firme
Assinatura legível sob o aval de Deus.

Apesar do veto, meu amor não se conteve.
Se não escolheu o vestido mais bonito, e calçou saltos altos
Para sair bailando, pelo salão de danças repleto para seus braços
Não foi por raquítica vontade ou dor nos tendões.

O furacão no horizonte esvaiu meu amor incorreto
Como a razão paralisou seus braços antes de me enlaçarem a cintura.
Conscientes amantes de um desejo impossível.

Tudo aquilo que não era, sempre havia sido
Escondido atrás do beijo que rompeu nossos diques
Mas manteve ao longe nosso desatino.

Obra de Andreas Preis 
Ilustrador Alemão.


Teresinha Oliveira.




3 comentários:

Olhar o mar disse...

O amor sempre chegará como sempre sonhamos, com o despertar do trovão ou o desfiar da maré...é só esperar que nosso interior nos chame e abra a porta do seu destino, passo a passo, minuto a minuto...sempre que o desejo nos chame

receba uma onda de amizade deste outro lado do mar

Mariana Leal disse...

lindo muito lindo

Maria disse...

Intenso, apaixonado e lindo.
Tenha uma Páscoa muito feliz, plena de paz, harmonia e muita poesia.
beijinhos
Maria