segunda-feira, 18 de abril de 2011

CINEMA.

Tarde monótona,quase triste como passarinho de asa cortada.
Feriado de dia santo.
Cristo morreu hoje e eu por aqui, sem luto ou angústia
Na sessão do cinema poeira.
Vazio.
.
Um gato pingado aqui, outro acolá.
Na maré escura, enfeito com as cores da tela
A solidão que me escapa pelos dedos das mãos
Unhas pintadas, caprichado vermelho
Como o sangue Dele que há milênios tentou.
.
Estou única . 
Sem amigo, sem amante, sem irmão.
Vivendo no retângulo mágico de luz e sombra
Que a nada arremete 
Ao contrário, arremata no feixe raptor.

Estar só 
Capturada pelos grãos de pó que dançam livres
É um jeito especial de estar, sentir e pulsar.
Ar mais fundo e percepção do que junto não se revela.
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Eu, por aqui esquecida 
Espero que o filme, afinal termine
Antes que a tarde engalfinhe a noite
E me faça voltar para onde não há. 
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Obra de Robert Doesburg - Pintor Holandês
Óleo sobre tela  (100x120 cm)
Teresinha Oliveira   (Abril/1998)




Um comentário:

Anônimo disse...

Me dá a sensação quando li o texto de uma imagem cigana.
Fascinante e misterioso.
Abraço Cy.