quinta-feira, 21 de abril de 2011

ÉTICA DO ESPANTO-BLOG REMINISCENTIA.



Leia aqui.


   Estou, num momento espantoso, e eu espantada, vislumbrando setas, direita e esquerda no labirinto montado por Lacan, cruel sábio moderno que nos prendeu, minotauros, entre seus conceitos da mente humana. 
   Esnobe criatura sou, que ao decifrar premissas tão claras que você Cecília  nos escreveu, visto toga de doutora e fico feliz como criança que ganha doce, por tão raso entender e absoluta(mente) tudo continuar sem saber, sem sabê-lo. Mas ainda arrisco, num lampejo de presunção, a concordar com ele que  hábito é ranço azedo- é isso um pleonasmo? Pouco importa.
   Tem o hábito essa composição química de lodo, gosma, talvez até de medo ou desistência.
   Hábito é meio-irmão do tédio, onde nada dá errado, mas também nada dá certo. É sentar numa cadeira de balanço esperando que ela te leve ao encontro do teu grande sonho, ou comer peixe espinhudo da feira semanal desejando lagosta, sem forças para pescá-la, até morrer de espinha engasgado.
   O hábito paralisa, te corta as pernas e te engessa os pés.
   O espanto te move, até porque arregalha olho, deixa queixo cair e muitas vezes faz o corpo pular. Leva a pensar, principal benefício, em pensamento lá  atrás esquecido ou nunca ocorrido.
   Talvez então, esse homem corriqueiro com um pouco de sorte e susto, se revele após espanar as teias e os fungos um homem espantoso.
   Te cabe agora, que com esse assunto e gente esperta convive, me apresentar tal sujeito.
Amor.


   Obra de Anne Bachelier - Pintora Francesa.
        Óleo sobre tela - 25x32 cm.

              Teresinha Oliveira.

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