Resquícios, somente resquícios empoeiram
O espelho e as asas do pássaro que finalmente
Atravessa a janela do meu quarto
Com os grãos do que um dia foi amor.
Voa, pequena criatura, voa...
Levando a imagem do que fomos.
A sombra do que tentamos
Desesperadamente, ser.
Voa, mesmo torto
Pelo peso dos desejos insepultos
Esperança trancada em cofre de prata
Angústia do impossível.
A verdade, em destino camuflada
No íntimo lateja, sem disfarces.
Falta coragem para rasgar os céus
Seguir tua rota, peregrina da tua aventura.
O grito se encolhe mudo, nó que estrangula
O olhar se desvia e o corpo se veste. As mãos
Lindas mãos que tanto amavas, estáticas hesitam
No bronze do adeus final.
Tela de Thomas Wilmer Dewing - (1851/1938)
Pintor Americano.
Teresinha Oliveira.
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