sábado, 23 de julho de 2011

♫ ASSASSINARAM O SIRI.

Assassinaram os siris, e alguns camarões também. Não muitos, porque de parrudos tinham seu preço em ouro. Quase embrulharam com papel de presente e laçarote de fita os poucos quilos comprados.
Os siris, vivos, como reza a lenda devem ser cozidos, enlouqueceram a cozinheira e fizeram a festa da criançada, que perseguiu um mais intrépido que pulou da panela e quase chegou à sala.
Anchovas fritas e mexilhões ao molho de mostarda completavam a oceânica comilança, há muito programada e adiada vezes sem conta; como sempre acontece quando família e amigos marcam um encontro.
É doença de filho, aniversário de sobrinho, trabalho acumulado, temporal, casamento de fulano,carro enguiçado, avó no hospital, dinheiro curto, viagem inadiável...
Parecia que o universo conspirava contra nós e a favor dos siris.
Afinal o sol brilhou um dia lindo e a alegria, companheira constante, serviu vinho de várias cores e perfumes, derrubou sobremesa na toalha limpa, contou piadas e casos, até louça lavou.
E entre tantas gargalhadas e sabores, alguém, ninguém sabe ao certo quem, registrou e distribuiu esses dois pares de olhos verdes, cor do mar onde esses bichos vivem, brilhando pelo apetite saciado.

Beth e Ciça.

Teresinha Oliveira
   


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