domingo, 24 de julho de 2011

TERCEIRA IDADE.

Criou-se o eufemismo de afirmar que a Terceira Idade é a Melhor Idade.
Não exageremos...


Porém, algumas coisas perduram, e até melhoram com o tempo.
O amor é uma delas.
Igual a bolo, que com fermento e calor cresce.
Só não pode abrir a porta do forno antes dele estar pronto
Porque aí ele sola, e não tem mais jeito.


Essa intimidade e conforto não tem juventude que pague.
Estar junto também é lazer.


O lanche é sinal de carinho.
Mesmo quando o sujeito desaparece sem dizer para onde foi.


Ou se torna desajeitado e porcalhão
Que arruína teu bom-humor e dá mais trabalho que as crianças. 


É o melhor momento para se reunir com amigos que há muito não se vê.
E contar casos, e relembrar coisas boas
E ruins também.
Faz parte desse jogo da vida que todos jogamos.
 


Namorar e mais uma vez perceber que se fez a escolha certa.
Esquecer os ímpetos assassinos e a ideia de fazer as malas.
Até porque não tens mais para onde ir
Nem pernas sadias para a caminhada. 


Viajar para onde sempre se desejou. E nunca se foi.
Ou porque o dinheiro era curto
Ou porque não havia com quem deixar as crianças
Ou porque era muito longe.
Esta é a fase do agora ou nunca !


Se reapaixonar pela mesma pessoa
De um modo novo. 


Conviver com gente nova, que foi chegando...
Num caos de alegria e esperança.
Esperança de que todos partam o mais rápido possível
Depois que a saudade foi saciada.

Tentar se manter jovem, mesmo que isso te envelheça
dez anos .


Lidar com coisas novas, modernas e confusas.
Está certo que as anotações nada esclarecem
Que não há nenhum sábio jovenzinho por perto
Com boa vontade -isso é raro- para ajudar.
Mas é preciso tentar. 

É a chance de mostrar ao mundo teus dons artísticos.
Afinal, ninguém almeja ser um Renoir


De praticar esportes radicais.
Papel ridículo cada um de nós já encenou vez ou outra.
Machucar um braço ou tornozelo não é tão grave assim.
Só não pode é quebrar o fêmur.

Mas cuidado com certas aventuras.
 A pressão sobe com a adrenalina
E o comprimido pode não estar à mão.


Boa  hora também para a música.
Quem sabe aprender a tocar piano...
Aquele que um filho abandonou na tua casa
Por não ter espaço no quarto e sala dele. 

O Natal agora tem um sabor diferente.
Época feliz de reunião, de reencontro, de presentes e comilança.
De mais um ano. De tempo.
Tempo para amar essa gente toda que te cerca e que te ama também.
Tempo para ser feliz.





Ilustrações de Marius van Dokkum

Texto: Teresinha Oliveira.


2 comentários:

Liliane disse...

Gente, que delícia :))
Tere, adorei essa simbiose!

Maria José Speglich disse...

Legal. Adorei essas imagens.


Vou pesquisar Marius van Dokkum