sexta-feira, 15 de julho de 2011

SER INSULAR


Não sei em que ilha nasceu
Muito menos quem gerou
Este ser insular tão estranho
Que de frutos e cocos se alimenta
No sal das águas se sacia e na areia de aquece.
Bruto, se abriga nas curvas das intempéries
Como se abrigo o corpo reclamasse.
Cabana sem teto, cama sem par
-Imberbe Crusoé-
Com idade frígida
Na face sem a fúria dos sentimentos
Fugiu do continente para a si mesmo bastar.

Que amor mal concluído ou serão da vida as dores
Que inflam velas em seu peito?
As estrelas apagadas segue em ânsias de maré
Para desconhecido cais, solitário porto.
Enlouquecido navegador sem fôlego
Nos meridianos da Terra se perde.
Lugar algum alcança, nenhuma mulher enlaça
Nenhuma criança ou bicho ama.
Sem mais saber como viver  
Seus anímicos vapores numa garrafa prende
E sem nenhuma mensagem a joga no mar.

Tela de William Merritt Chase - ( 1849/1916)
Pintor Americano .

Terê Oliva




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