quinta-feira, 4 de agosto de 2011

DOIS GUMES.

Faça de mim jardim e fortaleza, de granito muralhas
Com rosas amarelas, vermelhas e azuis
A brotarem na rocha viva.
Faça de mim tua pedra, tua flor
Minhas coxas tua cama, do meu corpo teu labor.
Bebe da minha boca a água sedento
De meus olhos arranca a luz
Para iluminar tuas noites insones.
Dos meus seios alimento 
Sacia tua fome e a dos filhos teus.
Sangra meus pés em bolhas purulentas
Em cada milha que trilhar.
Mas não armes minha mão nem fortaleça o braço meu
Com adagas afiadas no frio fio da traição
Pois, insidioso inimigo, gota de piedade alguma
Transborda de minha taça.
Não cruzarás meus passos sem bebê-la
De vingança puro fel
Veneno em vinho diluído a desfazer tuas entranhas
Teus membros paralisar.
Cada célula de dor medonha
Murcha nas esperas de clemência negada.
Quebra-cabeça de males armado, cada peça maligno dom.
Dias de arrependimento contorcidos
Só restando a ti
O da morte desejar.

Obra de Luis Gabriel Pacheco
Artista Mexicano.

Teresinha Oliveira - 1995






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