terça-feira, 30 de agosto de 2011

ENIGMA

A palavra é um enigma
Com intrínseca magia que em si mesma esconde
A essência de ser ela e não outra.

Veio rolando de povo em povo, ganhando letra, perdendo acento
Subiu monte, cruzou mar, e nas línguas das gentes ficou pronta
Assim pronta ficou bonita, se não tanto, disso ninguém tem culpa
O feio também tem nome e necessário foi citá-lo.

Tantas nasceram e se reproduziram sem controle, prole sem dono
 Que um sábio bondoso que amava a cada uma
Mesmo as desgraçadas, as nojentas, as inexequíveis, as puídas e imundas
Guardou-as em um livro grosso.

Apesar de tanto apuro até hoje não se explica   
Poucos filósofos e poetas nisso pensam
Por que caranguejo não é formiga 
E o amor cismou de rimar com dor ?

Tela de Alexei Antonov - (1957)
Pintor Russo Contemporâneo.

Terê Oliva
http://tereoliva.blogspot.com

2 comentários:

Malu disse...

Menina, que definição tão bela de palavras.
Eu me perco por elas quando dão formas e saem assim, versos adoráveis como estes.
Parabéns!
Abraço-te

Anônimo disse...

Bom dia, minha querida amiga bukowskística!

Adorei a imagem :)

Guardou-as [palavra, alegria e solidão] em um livro grosso: Ulysses.